8 de junho de 2013

Jesus incentivou a discórdia familiar? - Artigo Mensageiro da Paz



O capítulo 14 de Lucas tem suas peculiaridades. Percebe-se que a temática principal está nas prioridades. Inicialmente a questão de priorizar a cura de um hidrópico ou observância da lei com relação ao sábado (1-6); na sequência a prioridade dos primeiros acentos em uma festa (7-14); continua com as desculpas de alguns que não priorizaram a grande ceia (15-24); e finalmente, a parábola da providência, enfatizando a necessidade de priorizarmos a Deus, em detrimento das demais coisas desta vida terrena.

O versículo 26 em especial registra o seguinte: “Se alguém vier a mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (ARC). Infelizmente, este texto é interpretado erroneamente por muitos leitores da Bíblia. É interessante notarmos que a palavra “aborrecer” ou “abandonar”, em seu sentido literal no grego (miseõ), ainda que possa etimologicamente ser traduzida por odiar, pode também ser traduzida por “amar menos”.

MORRIS (2011, p. 222), registra que a ideia neste versículo é que ser discipulo significa dar sua primeira lealdade. “Não há lugar no ensino de Jesus para o ódio literal”. Pois ao observarmos seus ensinamentos, encontramos que Ele “mandou seus seguidores amarem até mesmo seus inimigos (6:27), de modo que é impossível que aqui lhes diga que literalmente devem odiar aqueles que na terra são mais aproximados a eles (cf. 8.20-21)”. MORRIS (2011, p. 222) ainda declara que a ideia de “odiar pode significar algo como amar menos (...) O que Jesus quer dizer é que o amor que o discípulo tem por Ele deve ser tão grande que o melhor amor terrestre é ódio em comparação (cf. Mt 10:37)”.



RICHARDS (2008, p.172) complementa ao comentar que o versículo 33 do capítulo 16 de Lucas, ressalta que Jesus não disse “...venda ou doe, mas renuncie. O que Ele quis dizer é que como discípulo de Jesus, nós entregamos a Ele a escritura de tudo o que possuímos. Deste momento em diante vivemos conscientes de que somos mordomos do Senhor, e que tudo o que possuímos pertence, em última instancia, a Ele”, inclusive nossa família.

BRUCE (2009, P. 1680) acrescenta que o texto não afirma que o homem “precise detestar os seus familiares, mas que eles devem tomar o segundo lugar, depois do Senhor, no seu coração”. A Bíblia de Estudo Pentecostal (1997, p. 1539), traz em seu comentário o seguinte: “Jesus requer aqui é que nossa lealdade e amor a Ele sejam superiores a todos os demais vínculos em nossa vida, inclusive os da nossa própria família”.

Assim sendo, Jesus em nenhum momento incentivou a discórdia e nunca desconsiderou a importância da família. Simplesmente estabeleceu uma hierarquia de prioridades, na qual, Deus está no topo, e deve permanecer.
                                                                                          

REFERÊNCIAS
BRUCE, F.F. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2009.
MORRIS, Leon L. Lucas: introdução e comentários. São Paulo: Editora Vida Nova, 2011.

RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro : Editora CPAD, 2008. 

Publicado: 
E no mês de Junho, com o artigo “Jesus incentiva a discórdia familiar?”- página 17 - (Ano 83 – Número 1.537 – Junho de 2013)
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