31 de maio de 2013

Toda a família na igreja!

(Artigo Publicado no Mensageiro da Paz)

Toda a família na igreja é o sonho de qualquer cristão abnegado. Muitos sofrem ao perceber que a igreja está em segundo plano para muitos de seus entes queridos. Mas qual a raíz desta realidade?
O sociólogo polonês, Zygmunt Bauman (2009, p. 105) defini a sociedade presente como “sociedade de consumo”, afirmando que ela “tem por premissa satisfazer os desejos humanos de uma forma que nenhuma sociedade do passado pôde realizar ou sonhar”. Nesta sociedade hedonista, o relacionamento humano fraterno ou íntimo, é substituído pelo desejo de prazer momentâneo através de um comportamento de consumo descartável. Bauman (2004, p. 24) destaca ainda que o “desejo quer consumo, o amor quer possuir. Enquanto a realização do desejo coincide com a aniquilação de seu objeto, o amor cresce com a aquisição deste e se realiza na sua durabilidade. Se o desejo se autodestrói, o amor se autoperpetua”.

A percepção de Bauman nos ajuda a entender a ontologia da sociedade atual, revelando automaticamente a importância de resgatarmos princípios basilares da plataforma bíblica que possibilitem uma ortopraxia que viabilize o retorno da família à igreja. No entanto, ao tentarmos salvar a família, corremos um sério risco de lançarmos mão de artifícios de consumo, revestindo-os de sacralidade, oferecendo-os com vista em resultados imediatos, que na verdade, não passam de movimentos vazios, ineficientes e danosos a saúde familiar.

Partindo deste pressuposto histórico, percebemos uma necessidade emergente de resgatarmos disciplinas cristãs que fundamentam um estilo de vida saudável. Henri Daniel Rolps, historiador francês (2008, p. 308), lembra-nos que antigamente, “as ideias eram transmitidas da maneira mais duradoura e permanente, na sua maior parte através da palavra falada”, ou seja, era transmitida de pai para filho como um habito cultural. O pai narrava as histórias bíblicas enquanto as crianças levantavam, comiam, andavam ou iam dormir, conforme Deuteronômio 6.1,7.
Segundo Rolps (2008, p. 309), “os rabinos davam grande consideração ao exercício da memória”, alguns até afirmavam que o “homem que se esquece de algo que aprendeu provoca a sua própria ruína”. Alguns rabinos, “a fim de treinar a memória faziam obrigavam os alunos a decorar passagens enormes, que precisavam repetir sem qualquer omissão, sem acréscimo ou modificação de uma só palavra”. Este mesmo comportamento acontecia nas escolas Talmúdicas. A palavra Talmude significa “aprendido de cor”. “Deve ser enfatizado que este método de treinamento sistemático da memória não se destinava apenas aos especialistas, teólogos ou historiadores profissionais: como vimos, as crianças já aprendiam a memorizar desde a mais tenra idade” (Rolps, 2008, p. 309).
Vaus (2003, p. 72), destaca que as mãe tinham papel importante na formação das crianças, “a mãe dava aos pequenos os primeiros elementos de uma instrução sobretudo moral, Pv 1.8; 6.20. Esses conselhos maternais podiam se estender também aos adolescentes”. Vaus também faz menção do pai, “os moços, ao saírem da infância, eram principalmente confiados aos seus pais. Um dos deveres mais sagrados destes era ensinar seus filhos, quer se tratasse de ensinamentos religiosos Ex 10.2; 12.26; 13.8; Dt 4.9; 6.7,20; 32.7,46 ou da educação em si, Pv. 1.8; 6.20. O açoite e a vara ajudavam nessa formação, Pv 13.24; 22.15; 29.17...”.
Com isso não afirmo que devemos fazer Ipsis litteris ao modos vivendi historicamente registrado, mas que devemos e precisamos investir mais em nossas crianças, ensinando-as em cultos domésticos semanalmente, levando-as assiduamente a Escola Bíblica Dominical, a Cultos de Ensino e incentivando-as a praticar a leitura sistemática da Palavra de Deus. Comportamento este que não se limita às crianças, e sim, a todas as faixas etárias, que sofrem com os desafios desta sociedade de consumo. Se pelejarmos juntos pelas nossas famílias (Ne 4.13,14), alcançaremos nosso objetivo de vermos nossa família na igreja.

Créditos: Ivan Tadeu Panicio Junior - Mestrando em Teologia, Pós-graduado em Docência do Ensino Superior, Pós-graduado em Aconselhamento Pastoral, Graduado em Teologia, Pastor de Jovens da AD Curitiba e Diretor da Faculdade Crista de Curitiba.


Postar um comentário