29 de maio de 2012

Família Terapêutica - Artigo Mensageiro da Paz Ano 82 - Número 1.525 - Junho de 2012


O termo terapia é normalmente usado no ambiente médico, porém, muitos autores incluíram o termo em múltiplos contextos, inclusive o eclesiástico. A etimologia da palavra terapia nos leva ao entendimento de um tratamento particular, algo benéfico, e o contrário disso seria um efeito colateral, ou seja, que fuja do benéfico. Tendo tal abertura, lançamos mão da oportunidade para refletir sobre uma Família Terapêutica, entendendo que a família deve ser um ambiente gerador de cura, de reabilitação e saudável, através de um convívio de amor e regado de felicidade. Qualquer coisa diferente disso, não representa o papel original da família, e resulta em prejuízos físicos, emocionais e espirituais, ou seja, efeitos colaterais. Cabe a cada um de nós refletirmos se nossas famílias são ambientes terapêuticos ou geradores de enfermidades. Vejamos alguns fundamentos de uma família terapêutica:




Primeiro - não se rende ao pecado – aqueles que desejam alcançar a cura para vossas almas não podem permanecer na prática do pecado. E uma família sadia, não consente, não se omite nem se acovarda diante da possibilidade de santificar seus membros. Os bons pais não são os permissivos, nem os liberais, são os que orientam seus filhos nos princípios eternos da Palavra de Deus. Ainda que num primeiro momento enfrentem certa resistência por parte de seus familiares, num futuro próximo serão recompensados.



Segundo - é guiada pelo Espírito Santotodas as ajudas sempre serão bem vindas, a fim de firmarmos os passos das famílias fragilizadas. Todavia, uma indispensável intervenção será a do Espírito Santo. Nossa luta não é contra carne ou sangue, mas contra principados e potestades. E é o Espírito que nos assiste em nossas necessidades, intercede por nós e nos reveste de autoridade para vencermos as batalhas contra o reino das trevas. Nós recebemos o Espírito (Gl 3.2), nascemos do Espírito (Gl 4.29), andamos no Espírito (Gl 5.16), produzimos frutos do Espírito (Gl 5. 22,23), vivemos no Espírito (Gl 5.25). Famílias terapêuticas, são aquelas que seus membros são agentes inspirados para realizar a cura, repelindo os espíritos de morte. O Espírito Santo, faz das coisas complicadas, fáceis; das enrijecidas, flexíveis; dos longos caminhos, curto; da frieza, o calor e da fraqueza, força. 



Terceiro - trata com amabilidade seu próximo - o apóstolo ordena: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura”. Precisamos lidar com tato, cuidado, amor e misericórdia para com os que foram marcados pelo pecado e surpreendidos pela fraqueza. A brandura aplaca a ira. O amor supera o ódio. A misericórdia revigora a alma abatida. Ao invés de expormos os ferimentos, temos a missão de sará-los em amor. Sabendo que toda disciplina visa a restauração do caído não sua destruição. Erroneamente, alguns obreiros usam a palavra exortação como sinônimo de surra, castigo, etc, no entanto,a raiz da palavra sugere algo como chamar ao canto e animar, levantar. Por isso que Deus diz em sua Palavra que o Pai só corrigi aquele que ama, ou seja, anima, encoraja a viver em santidade ao Senhor.



Quarto - não subestima o poder da tentaçãoquem está em pé, cuide para que não caia. Devemos cuidar para não cairmos nas mesmas tentações e pecados que nos rodeia. A presunção e a arrogância são atitudes perigosas e adoecem o coração. Temos a tendência de projetar nossas falhas nos outros e acharmos que somos intocáveis. Uma família terapêutica, valoriza cada membro, cada momento, cada dia em comunhão, sem nunca descuidar do perigo eminente nos ronda ao derredor.

 Não podemos desconsiderar a gama de pessoas que sofrem com os conflitos de famílias e casamentos. À igreja, cabe buscar em Deus condições de exercer papeis terapêuticos, na expectativa de contribuir para que as famílias, pelo poder da Palavra de Deus, sejam restauradas e/ou consoladas diante das agruras da vida.



Quinta - sabe a importância do cuidadotudo nesta vida carece de cuidados específicos. Desde os objetivos comuns, a aparelhos eletrônicos, até o homem, necessitam de cuidado. Nos primeiros meses de vida revelamos nossa total dependência do outro, e por mais que tentemos ocultar esta realidade na fase adulta o dia-a-dia revela não nos deixa mentir. O contexto conjugal não é diferente, como podemos ver na classificação abaixo:  



Recém nascido – este período é assim definido pela sua fragilidade, imaturidade, dependência, mas também, pelo encanto do novo, da inocência, do brilho do romance e encanto pela descoberta da vida a dois. Muitos infelizmente não sobrevivem aos embates, sucumbindo ao ciúme, a cobranças descabidas, ao comportamento possessivo e conflito de papeis.



Adolescência – neste período o casal já desfruta de certa vivência e experiência mutua, mas ainda mantém fortes características do “recém nascido”. Difere no entanto, quando já procura certa autonomia, movido por um espírito de desafio e curiosidade pelo novo. Incorre em vários erros primários, pois deseja muitas coisas sem saber muito bem o quer. A insegurança e a mudança continua de pensamento estão presentes, e na busca de ajuste, há muito desgaste.  



Juventude – quando chega nesta fase, o relacionamento é mais sério, mais ponderado, e começam a pensar no futuro distante, nas conquistas materiais, na realização de um filho. Ainda que as instabilidades ainda existam, já estão sendo substituídas pelos relampejos da fase adulta. Neste período se enxergamos muitas coisas, vários erros que levam a reavaliar a situação e diante delas até pensam em desistir, mas o desejo forte que lhes impulsionam insiste em afirmar que devem prosseguir. 



Adulto – nesta fase, já existem os filhos, dam maior atenção ao trabalho e as preocupações da vida, há uma tendência natural de afastamento do casal diante das demandas da vida. Em muitos casos, os sentimentos não são intensos como na fase “recém nascido” e “adolescência”, todavia, é para ser mais solido, fundamentado e constante. É a fase que mais constroem juntos, ajudam a outros da família e pensam no legado que deixaram a seus filhos e netos.



Melhor idade – este é um período muito lindo do casamento e da família. Mas se não for bem trabalhado pode revelar faces sombrias. A experiência e as estatísticas revelam a “síndrome do ninho vazio”, quando os filhos vão embora, a casa fica vazia e o casal não consegue mais se aproximar como nas fases anteriores. Alguns, neste período optam pelo divorcio, outros entram em conflitos emocionais e relacionais, mas há os que resgatam tudo de bom das fases anteriores, aplicam no presente e injetam animo novo na relação, desfrutando assim do restante dos dias de forma alegre e tranqüila dos frutos de seus esforços. 

 O cuidado não é algo opcional num relacionamento, seja ele qual for, mas obrigatório. Deus nos preenche com várias dádivas, e cabe a nós cuidarmos do que recebemos de suas mãos. Deus fundou a família, constituiu o casamento e sabe da importância da mesma para a sociedade e igreja, e dispensa autoridade a seus membros para efetuarem pela fé, prodígios e conquistarem grandes feitos em Cristo Jesus. Temos que crer que em Deus, podemos e faremos proezas (Sl 60.12).

A família deve ser a coluna, o baluarte, o porto seguro de seus membros, o socorro presente, a porta aberta de saída, o braço forte de abrigo, a fala mança de consolo e o refúgio para a alma ferida e cansada. Como Igreja precisamos investir para que nossas famílias não sejam descaracterizadas, fragilizadas ou subjugadas, como família, fazer o mesmo.




Postar um comentário